Thursday, April 04, 2013

reminiscências tríades de sonhos em quartos cor de rosa.

tudo está em áries e eu durmo doze horas, o sono embalado pelo barulho do pacote de biscoitos. ela é taurina fugidia, trabalha em uma peña intinerante de flamenco, está apaixonada. o meu canto do quarto é colorido pelas paredes cítricas e manchadas; pelas roupas de cama cor de rosa. eu só precisava de mim para o meu conforto, escolher as cores da minha roupa de cama e sair enrolada na toalha.
no dia anterior as paredes brancas respingavam e mim, ontem veio a lua uivar sobre as minhas dúvidas esparsas no travesseiro, dizia que sonhar era importante. ela está certa. tudo está certo e eu explodo no final. as cartas sabem de tudo as paredes sabem de tudo. o número do quarto é onze e me custou 600.

o prédio era seguro. éramos eu e duas anônimas de corpos incertos caminhando sobre o piso polidos refletindo as luzes do teto, escadarias e elevadores. ali no chao, a sorte: notas búlgaras em valores múltiplos de três - 168, numerologicamente seis - grandes e pequenos valores perdidos de algum extrangeiro sem diretrizes de mapa, afobado e distraído.
dali se assomou a vontade de mudar de lugar, espaço; fomos aligeirando passos e perdendo o ônibus, a parada. o motorista nos soltou em uma pista baixa e ali o perigo formava casa.
foi em um pique que nos pusemos a correr, escalar solos de concreto, paredes verdes enraizadas ( as respostas além dos muros, dizia a senhora de cabelos brancos, o cheiro de café já frio ) entre passos e maos enterradas, uma mulher medrosa, tao veloz quanto seus sapatos permitiam; nela se fez um apoio e em nosso medo, o apoio dela. segurança simbiótica, temerosa.
nao foi o tempo do apuro até um vulto pequeno vir em nosso encontro e se revelar em menina, inofensiva; - mataram minha mae, dizia, o assombro estampado em olhos redondos, - na minha frente, reforçava a solidão, os olhos criança em terceiro corpo, confunsa a passar-nos as imagens da sua memória fresca, seca, silenciosa.
sentíamos, subíamos vagarosas, perdidas; faces múltiplas de três, tecer, medir e cortar: as filhas da necessidade.

Tuesday, March 19, 2013

como dois e dois são cinco

-adeuses não existem, dizia.
havia sobre isso a minha inconsciência da compatibilidade escondida desse contentamento inconsistente.
-é fluido demais o destino para que se ponha sobre ele a solidez da distância, pensava retrucando.
e daí se cozeu o pensamento em luva que chegava a dizer que, dos fins dos arranjos de lã grossa que amarram uma aparente desordem do Universo, de repente se lhe escapam seres meteóricos, fugidios.
o ar, fluido por ser ar, potentemente se vai chocando aos vultos celestes que venham ameaçar choques de compactos-meteoros ao ser-sólido-telúrico, e na gentil peneira aérea, se distribuem camadas de poeira cósmica que se depositam, discretas, nas esquinas das ruas, entre-paredes, no vão entre a unha e a carne: víveres do pó.
o acaso do encontro entre corpos perdizes a traçarem círculos deslocados no espaço-tempo se consome em fluidez antiderrapante, em chuvas universais sobre as nossas cabeças sedentas, e aí o desacaso se arma frente às incidências.
-a gente ainda há de se abraçar, dizia, por fim.

Tuesday, December 11, 2012

amorular


gratuito, sai ruidoso e quente, obstinado perguntando leves e finos papéis lilases ou globos, oceanos plastificados em hemisférios e tinta impressa; tinta fresca em aerosol, impressões nas íris, multicolores: direita e esquerda a lerem-se.
sai, de repente, em compaixão liquefeita em sangue a causar taquicardias assim que correntes e quentes e rápidas superam as veias: espantos dispersos e arquejantes, recortes difusos do caminho.
e da amplificação do meu peito, simples e verde, se vai rompendo a complexidade de um fruto, infrutescência, ovários expandidos contendo a silenciosa unidade no fundo da carne, poupa, suco, sulcos cavernosos de potencia concentrada em semente, dura e frágil a censurar a terra compacta.
a ânsia de explodir
 à luz do sol: substanciar a criação em contração muscular, coração involuntário a se resvalar em arrítmicos tombos em sinais iniciais de despropósito.
iminência embrionária, m
órula de candura. 
amanhece no centro do com-plexo solar.

Friday, September 21, 2012

p.s. obrigada pelas guelras

por ser madrugada, completavam-se seis domingos, e dali ela o via longe.
não diria da surpresa dela, que não houve, de tê-lo, em passos tímidos, adentrando seu vagar pelo mundo: é que ele caminhava assim, vacilante de olhos escuros, perdido e lento, e por natureza física, entrou no compasso dos passos dela, que vão a arrastá-la, quase a enterrá-la.
dantes de notar por ela, percorriam-lhe o estômago náuseas. tinha ele se afeiçoado à úlcera e dava-lhe por nome verbo no passado, uma sílaba que permanecia a embriagá-lo.
ela, pois, seguia seu caminho medindo as pegadas que deixaria na areia, passava o tempo a prever o mar, que vinha e ia, sem avisar.
pensava, "bata na porta antes de me afogar" e o mar vinha e lhe comia as pegadas e lhe lambia os pés enrugados.
mas foi de querer ser gentil à menina que ia tão atarefada a sentir a maresia entralhar-se pelas narinas ao mesmo tempo que contava as conchas do caminho e tropeçava em algas e sentia a areia dentre os dedos e ocupada com o mar, caía e levantava e se embaralhava com as contas todas e as conchas que perdia, que mandou, quiçá Iemanjá, avisar-lhe que a maré vinha vindo alta.
foi tomar notícia da maré que vinha quando notou o rapaz que alçava a calçada à beira-mar.
era de se esperar que tomassem mesmo rumo, precavidos que são.
encontraram-se a meio caminho, e por fim, deram as mãos, ataram laços coas línguas e o sol descia, e a lua subia e trazia a maré, que se marcava já na altura da cintura deles que iam a distrair-se em si, dentro da noite escura dos olhos.
quando foram ver que se afogavam, nadavam borboleta, e era tão rasa a água que as braçadas davam pé, a areia enterrava os dedos aflitos, e se soltavam e se atavam um ao outro.
eis que o mar havia marcado, junto ao aviso dos orixás, uma visita. haveria de levá-la oceano adentro, era curto o tempo, pois que quando amanheceu, e a maresia se ia encolhendo, ia levando os fios dos cabelos dela, e quando se recolheu por completo, ela havia partido, cavalgando as correntes frias que rumavam o sul.

Wednesday, September 19, 2012

corre cutia...

era vazio até por dentro das mãos, os ossos se faziam cartilagem e as cartilagens se faziam adiposo, gorduroso, a pele afinava as camadas e a contenção não podia existir: fraqueza.
minha mirada poderia ter alcançado penedias onde a chuva se consome, mas tudo o que eu via e sentia era a ressaca de cachos se desfazendo e espumando sobre o travesseiro, um peito estreito onde repousavam dúvidas leves, amorfas, castanhas.
- no te duele el brazo?
o silêncio de um gesto. me perguntava se ele, o gesto, me continha.
abertos os olhos, o miravam de perto, os poucos fios de pelos muito negros saindo-lhe do rosto. o nariz pontudo, másculo, cortando a minha respiração.
seus olhos fugiam espertos a parar focados na minha boca. era macia. a boca. eram macias as mãos. os seios eram macios.
se poderia saber das pontas agudas do meu ser? eu não saberia.
yo no sé decir algunas cosas, me escapam, yo no sé expresar todo que eu quero a vezes me fogem las palabras, compreendes? esta despierto? yo todavia no pude dormir e te vejo de perto, sonhando tão longe. tão cansado. eu queria. agora eu queria espaço. desgrudando sua pele da minha. me molesta que despertes ya así tão pronto, grudado em mim, pedindo para que eu despertasse de un sueño que yo no tuve. estaba desperta toda la noche, pelo ruído que saía da sua garganta, do seu cansaço deitado sobre mim.
esses seres inflados e expandidos, tu e yo... si me hubieras mirado en los ojos só enquanto o sopro que sai da sua boca me adentra, este soplo podría rompernos os glóbulos oculares e então seríamos, juntos, tus manos rudes e sua pele tão limítrofe e carente, ou toda da lluvia que caísse sobre a Cordilheira.

Thursday, August 23, 2012

notícias sobre cães e amorte-cimento


aqui, diferente de lá, os dias se contam em dias, não em meses, anos séculos.
não é seguro viver dias que amanhecem para os olhos as 14horas e vão se acabar lá pelas 3horas da madrugada do dia seguinte.
os dias se resumem em uma letargia enérgica, uma curva crescendo na cervical e uma saudade -uma só- traçando buracos pelo corpo.
a fome é preenchida quando se faz vazando garganta adentro, ou gás de geladeira afora.
nos dias que a chuva não empoça por de baixo da calçada, a gente dá uma caminhada pra ver o sol entrar nos andares mais altos dos edifícios, sentamos numa praça para ler sobre coisa qualquer ou esperar uma abordagem carinhosa de um cão.
- essa cidade dá um vazio... dizia
eu concordava. a chuva empoçava por debaixo da calçada. era uma armadilha, quando você pisa, a chuva cai em você de baixo pra cima, junto com os resquícios da rua.
eu passei a sentir medo. não era medo do abismo que se ia fazendo enquanto os dias passavam por si só, ou o medo de perder uma boa conversa por não sintonizar a língua correta, era um medo de não ter medo da solidão, mas abraçá-la com tanto vigor, que se ela se fizesse presente, de repente, as lágrimas me escorreriam vindo das bochechas para os olhos e dos olhos em direção a um ser canino. simples. babão. submisso. peludo. doce.que deteria, dentre os dentes, o meu coração entregue com sinceridade, acariciando pela língua que lambia daquele jeito gentil de cão.
- uma vez eu li que o grau de solidão de uma cidade se conta na quatidade de cachorros.
pelas estatísticas dos meus olhos que ficam a flagrar cães encoleirados, a porcentagem de bichanos por aqui é sumamente superior à das terras natais, onde os cães vagam rumando os acostamentos, onde acostam suas tripas sem vida por mais de uma semana.
enquanto os dias vão se findando em dias somente, a evasão se me escapa, de repente, e ali eu sou armadilha, respingando o vazio por baixo do cimento sob os pés dos que não levam um dócil ser canino a testar a calçada em passadas leves de patas ágeis.

Thursday, July 05, 2012

sobre um Encontro


e de olhar eu via. eu vi quando soube que eras assim, desenrolado coas letras, que encaracolava ali, no topo da sua cabeça, as ideias livres, as criações em poucas palavras, soltas do lado de dentro.
e foi quando eu descobri que era menino, ainda, e que era velho, e que era mulher, e que ao homem não sobravam roupas, não lhe sobrava corpo, e lhe sobrava sentir, e lhe faltava o álcool - era sedento.
como era sedento e frágil, e como era obscuro fitar-lhe a dor destilada nos movimentos lentos, na curva que fazia suas costas ao debruçar-se sobre fragmentos de papeis empunhando uma caneta; no sorriso claro que se abria e rompia em profundas e secretas perspectivas.
cabia ali, naquelas frases de otimismo, uma dor diluída, uma ilha de vida que se acorrentava às marés, ao fluxo do vento. cabe ali, dentro dos olhos escuros, um ponto de fuga que se ia evaporando, que lhe levara o alcance dos pés, que perfurara seus olhos em túneis de ver: via além - e era uma via de mão única (ele sabia).
via e enxergava a necessidade rasa dos que vagam pelos caminhos incertos, via as sereias que puxavam-nos, mortais que somos, ao mundo submarino da ilusão, que nos derrubavam da corda bamba que divide os mundos. ele já caíra. ele sabe,vindo do fim das vidas que ressuscitara,  que sorrir bastaria.
já levava em si as rugas de um velho marinheiro, na língua histórias fantásticas, ele sabe, ele sabe por dentro onde vai dar, em que findará o mundo, e se incumbe de plantar girassóis, girassóis que os guiem aos sonhos, assim como o que ele plantara em si: seu salvador, e o rega a doses de embriaguez, para encurtar o tempo, a espera.
espera o momento em que um barco com grama no convés e acompanhado da solidão livre, da que não acorrenta os pés, da que liberta, da que dá asas ao leme, pulmão ao motor e coração a se diluir em salmouras.
espera a redenção...

- é uma coisa que segue o sol.
o sol, resplandecente e dourado.
é a vida, a fonte da vida. luz
é natural que sejamos fototropistas, é de natureza que busquemos nos cegar apontando nossas pupilas queimáveis ao ângulo do sol.
- são cegos. Girassóis só poderiam ser cegos.
deviam entender, cegos que são, o que Ele gostaria de dizer, a que será que se limita?
- Porque quando o olho, o sol, Ele me cega. poderia eu ser girassol?
a que será que se finda, ver ou viver, vir ver o sol que se levanta e cai.
- a lua!
sim, assim como a lua, crescente, cheia, minguante, nova...
as fases do sol: nascente, repleto, poente e morto.
Não há como fugir do fim, tampouco do começo.
O destino, além desse, além da flor que murcha adormecida quando a noite abocanha o dia, além da diluição de todas as coisas na escuridão, além da lua nova, só quem acompanha o sol, quem acompanha a lua, quem dos olhos se desfez para observar poderia dizer.
- sentei para conversar com um Girassol. poderia ele me dizer, na confidência de um surdo, o que sua cegueira enxerga. poderia eu lhe confessar o que minha mudez esconde.
Leminski diria que cresce dentro do ponto, meu centro, o que eu calo.
por dentro, calejado, sou um infinito de coisas crescidas.
me habita o Mundo, carta rara, que habita as páginas dos meus livros, míope e surda.
me habita um bambear entre terra e mar: entre calar ou sussurrar.
ao olhar, vi o fractal no miolo.
miolo da flor amarela, que anda a escutar Apolo; apelo para ver a verdade secreta da morte que cabe, desperta, no fim do horizonte do dia: noite de segredos, em mim.
O sol é fractal em seu miolo.
- como pode saber?
vendo! vendo com olhos de girassol e emudecendo, escutando o barulho do silêncio, ensurdecendo.

Saturday, June 30, 2012

signo de ar.

vinha a passos curtos.
sinto a vibração da sua energia antes que sua voz possa invadir os ambientes, antes que deixe eriçada a lentidão que é minha, antes que seus passos ligeiros, que mal triscam o chão, pudessem me acordar.
sinto-a vindo, presente ao estar distante, cabeça vagando por outros mundos, por tempos que só Urano poderia prever;
acanhada apenas pela própria invasão, invasiva pelos olhos que espalhavam as miragens dos seus ideais.
quase que sem me triscar, guiava-me pela mão. entregava-se-me à liberdade, aos perigos dos mistérios, às crateras da Lua, sua, minha, luas, línguas que falavam em direções opostas para que, por caminhos adversos, se encontrassem e amadurecessem.
a liberdade, o tempo, a consciência, o seio, a fortaleza, a vida me foram dadas sob a pena de oceanos despejados em consolos, preces e confianças infinitas, parcerias e copos de leite.
daqui, a fortaleza é em movimentos de sopro ou furacão, de memórias esgueiradas e recostadas, a fraqueza é inquieta e dispersa na voz que esvoaça por dentro do corpo e do tempo.
saberia eu que um dia falaríamos sobre Vênus e Júpiter, sobre despedidas e desconsolos, chorando uma apoiada a outra.  

soava como sua a umidade equatorial.


os urubus marcavam suas silhetas negras e pesadas no céu,suspensas na névoa das correntes quentes.
 levantava eu os olhos, curiosos de ver o asfalto continuando, e eis que o sol ofuscava a retina, eis que a rua subia toda em direção ao firmamento, descabelada dos tantos fios que a cortavam, desordenadamente, o mormaço fervente; eis que a água doce que se mantinha nos ares, escorria pelo rosto, salgada.
estava ali, em um ponto muito próximo da linha do equador, quase infiltrada na mata densa, da terra parida para cima, navegando o ventre de ártemis e escutando os gemidos que, em alto som, sussurrava a deusa bruta, virgem.
era pequena a cidade, e nela toda vibrava um tempo já passado, as pedras, que antes pintadas, desbotavam suas cores enquanto a ferrugem comia as grades dos casarões abandonados, enquanto o rio ruía, enchente por enchente, o cais de madeira que apodrecia fixado ali.
as ruas desertas, exceto, talvez pelas motocicletas que comportavam duas gerações da família e que vez ou outra cruzavam o asfalto, suponho, tão antigo quanto as troncosas seringueiras.
era curioso sentir os tempos se coabitando, espaços atemporais onde correm os fantasmas das memórias dos vidros quebrados e das vigas mofadas que se estendiam pulsando levemente.
pulsava como pulsa um devaneio de criança sob um sol quente: os joelhos marcados das pedras e no fundo dos olhos, o temor desafiador do esconderijo, permanecer ali, submerso em água negra, a ser embalado por botos cor de rosa.

Saturday, April 14, 2012

soluços de uma noite chorosa...

... entramos para escutar, olhamos para a direita, a parede se estendia centrífuga,e onde findava o breu, eram eles: três banquinhos espaçados, sob uma luz azul esbranquiçada, emprateando discretamente as peles, os antebraços, expostos : camisas em tons de vermelho dobradas até acima dos cotovelos para empunharem seus instrumentos ( me pergunto se instrumentos eram as cordas ou eles ). desviamos das cadeiras e mesas e pernas cruzadas e pés que se adensavam a frente, e quando nos apoiamos frente ao balcão, as notas já ressoavam na acústica encurvada, e dali, daquele ponto de vista, parada, ao fechar aos olhos, de repente, me sentia querendo saltar vazando pelos poros que se arrepiavam num ou noutro conjunto de notas, que eu não podia compreender. eu não compreendia, eu não sabia, mas eu sentia por dentro, querendo se fundir nas rotas que se espalhavam, organismos indelimitados que me adentravam pelos ouvidos, pelos olhos, pela boca, faminta de entender a troca, de engoli-la e fundir-me aquelas vibrações que saíam de pequenas caixas pretas mágicas: holofotes para as notas que produziam dedos, dedos que se multiplicavam em progressões simétricas, tantos dedos a dedilhar os sentimentos que se sabe, são maiores, tão maiores do que o que as palavras poderiam abraçar, poderiam limitar. dali, olhava as harmonias se materializarem em finas camadas de digitais, que comporiam a pele, que se marcariam em linhas, finos cursos de vida, que entrariam pele a dentro, compondo carne, banhando de sangue os músculos, pequenas e muitas articulações entre ossos, e tudo isso para que eu, naquele instante, me embaralhasse, colidisse com o infinito ressoante e findasse por me afogar na penumbra dos meus olhos fechados, desviando dos vultos, das silhuetas, das vozes que iam por trás do meu ouvido. me sentia desesperadamente aprisionada pela tatibilidade que eu gostaria de expressar, e de dizer, optando, mais um vez ao silêncio, que calharia e calaria a falta de ar em que eu me afundava em curio: era gente dentro d'água, na maré das intensidades que escalavam as barreiras do meu corpo, me invadiam pelo chacra cardíaco e liquefaziam as dimensões..............
do lado de fora a noite era imensa e intensa: era nova. extensos se abriam os caminhos em órbita ocular, em focos que variavam entre o cimento no chão, a grama na terra e as raras estrelas no céu, que foram exaltadas entre euforias compartilhadas em confiança : confidências de rotina, de previsões e apertos, e liberdades entre soluços, risadas e sede.