Thursday, March 27, 2014

es acerca de alejarme dos pasos?
mi caminar tiene algo de lento, de vagaroso si me veo tomando cierta velocidad, hay la necesidad de sentirla.
yo sé, he sabido que la paciencia no es esperanza y que ellas alimentan nidos distintos del cuerpo.
la pulsión en el cuello es distinta de la que late en el pecho que a su vez suma otro resultado en el tamborileo de las rodillas cuando están dobladas.
pasa por ahora algo en mi cuerpo etéreo que me va soplando códigos nuevos: cuanto sentimiento hay en cerrarse los ojos, o sostener en el silencio hilos de comunicación que cintilan chispas de energía (no es que de esto ya no sabía, pero de cuantas maneras se puede saber un objeto sin dimensión?)
la temperatura toda está procesándose en cambio. soy un desborde de temperatura. mi piel, así como las hojas, se van otoñando y no sé si lo que los hombros notan  es la prisa del inverso o la nostalgia de la espalda, de cuando la hoja era blanca y no tenía pautas.
- o tempo é curto! él seguía en alerta. me ponía a cuestionarme como se mide, después de cierto tiempo, el tiempo y su noción. (ahora me puse a cuestionar si los alertas no sirven como previsiones.)
- no me decis nada y te digo pasado, presente y futuro.
la gitana de ojos grandes, rugas en la piel y en un idioma veloz me apartó de un amor prometido
no sé si por eso, pero anduve tambien por sueños ajenos adonde me leían las lineas de la mano y veían que de cada linea salen dos y de cada una de dos, salen dos más y en esa progresión infinita de bifurcaciones, se ahogan
- você deixa a energia passar por ti, e não fecha a mão para agarrar outra mão que por ventura toque a tua.
hay un misterio acerca de poseer la libertad y al mismo tiempo negarla. la libertad es una trampa y la posesión una cobra con hambre.

Friday, March 14, 2014

soa que me transporta

eu ia te visitar, aí país longe, onde os sopros se enrolam e cacheiam redemoinhos. pudesse você se ver como te vi, inalcançável nas motivações de um lápis sem ponta.
a tua casa era compartilhada, além da tristeza, uma companheira - eu não pude saber o que faziam quando estavam sós.
de súbito, a tua mão me levou a lugares onde os vãos de paredes lisas e voluptuosas de curvas abrigavam moradas amigas, cavernas ora abertas, ora apertadas e escorregadias de túneis que iam deslizando o estado homogêneo da sedimentação que o acaso ordenou num serpentear bonito e terroso. os abraços eram amigos e irradiavam a calidez da bem aventurança. nesse quintais haviam geiseres que casualmente jorravam lençois freáticos quentes e quentíssimos vapores.
num repente instantâneo, eu estava no mar fundo, azul, abraçada a uma boia que respondia ao movimento de um impulso motorizado e a mim enlaçada pela simples resistência da pressão do meu segurar, nas minhas maneiras de apertar e quase largar-me a deriva. o azul se espumava ao meu redor no rastro do movimento que produzia aquilo que me levava e balançava a água própria. feroz se revolvia. tudo cabia no conforto de um contemplar oceânico. era de tarde e se viam estrelas, se via de perto um tilintar de infinitos que são acima, e as construções rochosas apontavam em resposta aos que curiavam de ver a boca comendo o rabo. o desfim se estendia viçoso cheia duma melancolia que me era o coração.
no regresso à casa, um quintal um pouco afastado, era como um jardim de areia, manguezal seco que escondia em furos discretos, crustáceos, lagostas com bocas quentes que agarravam uma mão inteira num engolir macio e agoniante. camarões e escorpiões que ascendiam e sumiam no revolver que a gente fazia na areia, sempre numa expectativa que fazia crescer em medida igual esse medo de achar algo maior do que a gente. no beijo da lagosta, dela eu me desvesti o braço, sentindo a sua vida por mim tirada.
adeus.


dali ouvi dizer, a fumaça dos incensos, que era tudo da vontade de erguer-me em direção ao timão e autorizar-me o barco. mas era forçoso entender que antes de prever a maré e ao contrário de controlar as ondas, há o espírito leviano e material de perceber-se água emanando ondas
- tudo entra na dialética da situação e oposição que se embrenham na prática, dizia o homem de barbas brancas. reavivava a grandeza da construção da prática, da efetividade, dos seres que pensam - e criam -.
o pensar, pero no mucho, sentir, pero no tanto; ir e saber ficar, quando voltar e o deixar entrar.
- venha e vá sempre que quiser.
como dizia já a voz dela, estarei preparando e modelando a argila, ordenando os reinos, aquecendo o corpo em velas e dando de beber às sementes plantadas; mas atenta ao aproximar-se e ao próximo toque.

Monday, January 27, 2014

- você diz que sim e o teu corpo vacila... dou mais confiança nas margens.
o ar era frio, mas se sentia um calor... quase uma vergonha que aquecia as bochechas.
ali os beijos de oxum arrancaram certa parte do olhar como água dura; te arrancam pra perto de ti mesma, no fundo de pedregulho onde fragmentos do mundo se embaçam nas cosquinhas da água.
é tudo muito sutil, as pedras e a correnteza te vão levando e guiando pés por sobre as montanhas, domando corcéis selvagens, forçando a curvatura do pescoço abaixo e acima e soprando leve doces sussurros, risadinhas, a mão alheia. - vamos cantar!
- a sua volta é sempre a âncora que te puxa a respirar, como se lá o fundo te levasse pro outro lado da Terra.
quase como a necessidade dos cetáceos de emergir, um impulso ancestral de ser bicho. louvar ao sol o dorso: que se queime! que me queime até que do rosto venha a coragem de olhar as explosões dos infinitos na áurea do fogo.
era um burro, um equino, um cavalo a tremer em correspondência um tanto feroz. dizia ele que não hesitara em procurar o capim alto do tão rente à cerca. a aparência da jaula vinha dos olhos de quem via, já que ali a comida era mais farta. era de coragem o assumir o risco da cerca, das farpas.
a bolha - plum! - se desfaz por vontade de bolha, mesmo... vontade reta.
a vontade era um beijo de marinheiro, enviado das águas doces e poços escuros, dono nas pontes sobre desfiladeiro, arquiteto da própria destreza sobre as pedras, cânions, peito inflamado e um silêncio inteiriço. os orixás me levaram mais um olho em troca: capitão ahab.
se faz caça e caçador, a tripulação dissonante e suada, que a remos, guia um navio ao alvo de uma terra fervente e flutuante.
- logo ali ó! o fim do arco íris! ponham as mãos nos bolsos e aí terão o ouro e as fórmulas mágicas!
crack! o biscoito chinês dizia para olhar trás. e o pescoço se pôs a torcer-se, o estômago a contrair-se de medo de ver-se vítima de uma tromba d'água que desaguava sem propósito desde as chuvas lá das serras, que nem se viam, mas que sopravam sorrateiras... cantavam enrolando a língua, adensavam os sonhos a ponto real, o vizinho e seu papagaio andavam e tagarelavam sobre o café da manhã e sobre avistar seriemas escondidas na mata, sobre as imagens de mulheres luminosas que empunhavam o sol e a lua, o som dos chicotes a estalar nos distintos timbres dos bichos todos; na beira da estrada, diziam ainda, que havia flores fortes.
tudo subia feito ânsia que não punha força, só chacoalhava dentro. têm desejos que não devem ser prática, só pra serem desejo mesmo e diminuírem o tédio construtor dos desejos procrastinados. a hora certa virá! apertemos o play, dali a diante é tudo feito de mágica, caixas de ilusão.
o realismo das magias que o eu movimenta se encorporam na lembrança dos rostos nos sonhos, dos cheiros e enervam-se as componentes do corpo, um tremilique e o seu rosto me desperta.
planta certa de tronco flexível querendo germinar no deserto. vinga não, é certo! daí vem um lavrador, arêia em volta, o sol a pino, chapéu no topo e sombra na testa molhada...
-olha que o cão mija!
e da água vindoura, sementes bentas brotarão
-o universo é faaaarto, minha filha!
ô se é!

Tuesday, December 03, 2013

ponto ciliar

tá ouvindo?
a tração de finos fios sustentando os umbrais engolidores de luz; a imensidão do teu ser, irregular, faminto e voraz.
não foi a toa que você me veio em sonho, nossos vazios se confundiram. você do don dos mundos flutuantes me via pelas frestas de uma vontade captada e alheia.tão cheio de si...
em enérgicos suspiros se movia ao rufar dos antônimos.
aspectos e divindades ressoando pistas frágeis; o tilintar doutras dimensões, os choques nos olhos e os meus sonhos aleijados.
animistas e entusiastas invasores das selvas densas acusavam as distâncias insinuantes dos bombardeios subaquáticos:
- ah, isso se sabe simples. é só olhar nos olhos... o espinho fincado no pé
as ilusões dos curandeiros e alquimistas se despedem em fragmentos de ouro fundido, solvente universal.
hoje em dia são ilustres mágicos descrentes, hermitam dentro do tronco de um salgueiro e observam, em figuração, sonhos alheios.
- esses rostos conhecidos, de onde vêm? era levar uma brincadeira muito a sério...?
essa liberdade que me espreita com o ronronar de jaguar, os resquícios de animal sentem seu focinho gelado.
era contra luz, só via o espectro triunfante vazando pelos bueiros. cumpria a ronda mordiscando pelas bordas frias: jóqueis errando por aí sob a proteção de cães moribundos, se lançam tolamente nos vãos tenebrosos do sem fim, uma ducha e as janelas.
vidros abertos, embaçados de plexos solares cheios de umbigos ambulantes, parceiros de batalha.
ó, eu amputava uma perna para me resguardar um pouco mais, arrancava os cabelos em busca de um rosto mais sincero e limpo...
mas eis que apontamos a saída: mata adentro
os olhos cansados de ler em matéria virtual, tremiam sob o frenesi de cerejas explodindo dentro da boca.
não importava, ali, se as costas viam o horizonte que montavam o porto imerso num calor desconsolador pois eu não entendo, diria o tremilique das minhas pálpebras.
não entendo a matéria desse sabor que se envolve em véus sobre hologramas, enquanto meus dentes erotizam um caroço. há um sabor em manchar os dedos de vermelho num dia quente.
a bateria se esvaiu entre pressões. pense rápido, e minha pele sentia a coceira da luz preenchida.
a matéria que não projeta sombra. não entendo ler anestesia enquanto meu corpo expande dimensões intraterrenas.
aquém da organização espacial de um plano, do passo a passo de um truque de ilusão, de como rasteirar os sentidos alheios, eu vi o rastro de tinta no papel e as células materiais do branco sobre o negro, do cheiro. os números se remontavam em pares ímpares e eu planejava em desenhos foscos no papel.
aí eu diria que sim, sou adepta ao conservadorismo do tato, do olho no olho e dedos espertos... mas fala a minha língua: fiquemos em silêncio. silêncio de corpos que não revolvem sacos de biscoito com sabor artificial de bacon, mas silêncios molhados de ventania, descarados revolvendo as saias, provocando espirros. o silêncio dos rostos se amaçando em agonia dum vento forte, prenúncia de chuva... ah, a chuva para embaçar os óculos, rechear as veredas, desgrudar os cabelos da nuca; a chuva como pretexto para emitir sonzinhos de língua entre os dentes, manifestar a dorzinha de mais um atraso.
ah, o silêncio para invocar o barulho...

Wednesday, October 30, 2013

a paixão segundo sentidos

as cartas diziam a verdade. e se era a verdade, dessa que escapa os contingentes mentais, dizia de karma, isso de ter como verdade não matar baratas, a guiavam para um caminho pré-existente, oriental e supra sutil. perguntava aos ventos sobre a sutileza dos braços longos. suspirava.
abaixo de três camadas de coberta, o coração dela pulava e pálpebras intranquilas voltavam-se ao teto esburacado - umas gotas de chuva, dizia, ou um pêssego maduro, caso queira cair em plena escuridão... quem vai saber, reticenciava...
assumia a rota, coragem enquanto pronunciava palavras que claramente não entendiam. lá fora o espaço se mexia, o tempo andava em tons oníricos e se suspendia por descobertas táteis com a pele do avesso. platão não ensinou a ver,
- nunca fui de me confiar as verdades, elas eram minhas antes sequer de serem e então ele caiu sobre mim com muita desproposição. na mesma posição você contava sobre se confundir de andar e abrir a porta da vizinha. que espanto gracioso, eu diria.
tardiamente ela dizia...
- você conseguia tudo o que queria e sem que você quisesse, eu te quis sem querer.
tudo o que lhe saía, ruidoso e apaixonado, forte e viscoso, carregava a dúvida ontológica do amor. amava e ponto. cachorros, ratos, furões. amava em mandarin, budismo, no frio. amava orgia de tela branca em sala escura. amava, então, o debaixo das cobertas, a lua nua. amor pelo movimento do ócio, olhinhos rasgados, leves e pesados. era só olhar.
de édipo lhe vazou os olhos, a ela os deram, condicionou-lhe o piso. ela não sabia, não sabia que era amor quando olhava. bastava olhar e ser curioso, ter um buraco escuro, uma coisa esquisita, movimentos vacilantes, abertos demais...
quando soube que amor e prazer andam juntos em ultrassom, ultravioletas, gama, alfa, fundo se fundem, amaria. previsões oraculares se consumavam em desvendar o amor e os caminhos secretos das palavras. ela falava e sucumbia à sensação de boiar, jogar ao espaço os olhos vivos e a pele quente, focos de luz espaçando-se pelo desfoco, aderindo à divergência, a voz falhava pelas costas das mãos... as reações quentes borbulhando em palavras marcianas, - me perdoa, emanava em mantra.
dos suspiros graciosos das carícias doloridas de silêncio, na luz se coroava uma porta entreaberta; punhal cravado no chão.

Friday, August 30, 2013

te té

na situação fronteiriça que insiste em cavar buracos para abrigar muros altos, o indivíduo se faz terra por densidade
os fluxos a diluir partículas, confins de centralidade comum.
as muralhas que separam e delimitam, em linhas instáveis as cercas e propriedades, prioridades de manutenção, assentamentos de desejos, a dúvida quente a agitar-se quieta em bolha de vidro fosco, a mover músculos em face de um espanto: uma barata vazou do ralo;
na superfície dura e metálica ecoa o sopro de uma chegada;
de contra a luz, feito transparente fosse a carne, se avermelha a superfície;
por um orifício minúsculo, o mundo me expõe.
é contrato (e todo mundo sabe) calar.
o silêncio, pois, coletivo e assinado, é o ruído de todo som.
línguas a perfurarem a vaguidão, palavras construindo prolixas distâncias.
papeis, tintas, negro e branco, pólos emudecidos entre mim e o perigo da rua.
o ato reflexo entre a geleia cósmica a geleia visceral, meu habitat.
a fronteira sapiente norteia o sangue às pontes construídas, trópicos, linhas, cartas e planos; infinitas paridades, opostos simbióticos.
da unidade correm telepatias, magnetismos, sais de prata, dinossauros, memórias, rochas e pedregulhos, vegetal, primitivo e espiritual: nós, infusão líquida e etéria, intermitente, funcional e orgânica, antíteses circulares, previsões continuadas,
coletivas,
espaciais
vapores.

Tuesday, March 19, 2013

o vão cru de todas as coisas

-adeuses não existem, dizia.
havia nisso o esconderijo de um contentamento não palpado.
-é fluido demais o destino para que se ponha sobre ele a solidez da distância, pensava retrucando.
e daí se cozeu o pensamento em luva que chegava a dizer que, dos fins dos arranjos de lã grossa que amarram uma aparente desordem do Universo, de repente se lhe escapam seres meteóricos, fugidios.
o ar, frouxo por ser ar, potentemente se vai chocando aos vultos celestes que venham ameaçar choques de compactos-meteoros ao ser-sólido-telúrico, e na gentil peneira aérea, se distribuem camadas de poeira cósmica que se depositam, discretas, nas esquinas das ruas, entre-paredes, no vão entre a unha e a carne: víveres do pó.
o acaso do encontro entre corpos perdizes a traçarem círculos deslocados no espaço-tempo se consome em lassidez antiderrapante, em chuvas universais sobre os corpos secos, e aí o desacaso se arma frente às incidências.
-a gente ainda há de se abraçar, dizia, por fim.

Tuesday, December 11, 2012

amorular


gratuito, sai ruidoso e quente, obstinado perguntando leves e finos papéis lilases ou globos, oceanos plastificados em hemisférios e tinta impressa; tinta fresca em aerosol, impressões nas íris, multicolores: direita e esquerda a lerem-se.
sai, de repente, em compaixão liquefeita em sangue a causar taquicardias assim que correntes e quentes e rápidas superam as veias: espantos dispersos e arquejantes, recortes difusos do caminho.
e da amplificação do meu peito, simples e verde, se vai rompendo a complexidade de um fruto, infrutescência, ovários expandidos contendo a silenciosa unidade no fundo da carne, poupa, suco, sulcos cavernosos de potencia concentrada em semente, dura e frágil a censurar a terra compacta.
a ânsia de explodir
 à luz do sol: substanciar a criação em contração muscular, coração involuntário a se resvalar em arrítmicos tombos em sinais iniciais de despropósito.
iminência embrionária, m
órula de candura. 
amanhece no centro do com-plexo solar.

Friday, September 21, 2012

obrigada pelas guelras

por ser madrugada, completavam-se seis domingos, e dali ela o via longe.
não diria da surpresa dela, que não houve, de tê-lo, em passos tímidos, adentrando seu vagar pelo mundo: é que ele caminhava assim, vacilante de olhos escuros, perdido e lento, e por natureza física, entrou no compasso dos passos dela, que vão a arrastá-la, quase a enterrá-la.
dantes de notar por ela, percorriam-lhe o estômago náuseas. tinha ele se afeiçoado à úlcera e dava-lhe por nome verbo no passado, uma sílaba que permanecia a embriagá-lo.
ela, pois, seguia seu caminho medindo as pegadas que deixaria na areia, passava o tempo a prever o mar, que vinha e ia, sem avisar.
pensava, "bata na porta antes de me afogar" e o mar vinha e lhe comia as pegadas e lhe lambia os pés enrugados.
mas foi de querer ser gentil à menina que ia tão atarefada a sentir a maresia entralhar-se pelas narinas ao mesmo tempo que contava as conchas do caminho e tropeçava em algas e sentia a areia dentre os dedos e ocupada com o mar, caía e levantava e se embaralhava com as contas todas e as conchas que perdia, que mandou, quiçá Iemanjá, avisar-lhe que a maré vinha vindo alta.
foi tomar notícia da maré que vinha quando notou o rapaz que alçava a calçada à beira-mar.
era de se esperar que tomassem mesmo rumo, precavidos que são.
encontraram-se a meio caminho, e por fim, deram as mãos, ataram laços coas línguas e o sol descia, e a lua subia e trazia a maré, que se marcava já na altura da cintura deles que iam a distrair-se em si, dentro da noite escura dos olhos.
quando foram ver que se afogavam, nadavam borboleta, e era tão rasa a água que as braçadas davam pé, a areia enterrava os dedos aflitos, e se soltavam e se atavam um ao outro.
eis que o mar havia marcado, junto ao aviso dos orixás, uma visita. haveria de levá-la oceano adentro, era curto o tempo, pois que quando amanheceu, e a maresia se ia encolhendo, ia levando os fios dos cabelos dela, e quando se recolheu por completo, ela havia partido, cavalgando as correntes frias que rumavam o sul.